Para organizar a categoria dos catadores e conquistar sua valorização, foi criado em 1999 o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis. E no ano de 2000, o MNCR lançou a Carta de Brasília, expressando suas reivindicações, fundadas em três pilares centrais:
1. O reconhecimento da profissão;
2. A inclusão social dos catadores, com recursos públicos para atender necessidades
básicas de habitação, saúde, educação e trabalho (incluindo capacitação
técnica, tecnológica, gerencial e em desenvolvimento humano);
3. A participação ativa no processo de industrialização dos materiais recicláveis.
Com a busca por maior participação dos catadores nos processos de decisão, ao longo dos anos o MNCR tem se tornado um importante interlocutor junto ao governo federal e às empresas privadas. Sua influencia pode ser verificada na formulação de políticas públicas como na criação do Comitê Interministerial de Inclusão Social e Econômica dos Catadores de Lixo em 2003, visando à inclusão social dos catadores e erradicação dos lixões; assim como na Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010.
Internamente, a atuação do MNCR se dá por estruturas regionais, tendo bases orgânicas e comitês regionais como espaços deliberativos. Cada Comitê Regional indica representantes para a Coordenação Estadual, que por sua vez indica delegados para a Comissão Nacional. Também há uma Equipe de Articulação Nacional, composta por catadores das regiões sul, sudeste, centro-oeste e nordeste, com o compromisso de proporcionar agilidade às articulações regionais e oferecer uma visão integrada do MNCR no país.
Atualmente, o MNCR representa cerca de 300 associações e cooperativas de catadores, das quase 500 constituídas nos últimos dez anos. Suas ações estão voltadas à capacitação para a coleta, preparação e comercialização dos resíduos.